Nasceu em São Paulo, dia 1º de Outubro de 2002. Filha de Cleiri Cardoso e Rui Takeguma:
Cecília Cardoso Takeguma - Página INICIAL
19º mês - Abril de 2004
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1 ano e 6 meses: o tempo 'avoa'...
560º dia - 13/04/2004 - terça feira
Mamãe volta da viagem que fez para Trindade no feriado de páscoa, foi na quarta e ficou 6 dias fora, e papai direto curtindo a CECÍ
Feriado fundamental e, espero, seja o ponto zero de uma nova etapa
Roberto Freire sempre teve umas frases geniais, uma delas era, comentando sobre crise, que No fundo do poço existe uma mola, isso é, normalmente se foge das crises e luta-se para não chegar no fundo do poço e assim não se tem o impulso para sair dele.
Após meu afastamento e criação da Somaiê, exercito uma atualização geral dos conceitos. Sobre essa frase, modifiquei-a inspirado na minha crise pessoal. Minha idéia é que no fundo do poço existe um fundo, e a mola está nas nossas pernas. Muito menos poético, mas ligado a um conceito anti comodismo. Acho que quando cheguei ao fundo do meu poço, fiquei esperando a mola, e descobri que ela não existe. A medida que percebo a firmeza do fundo do poço, vejo a possibilidade do impulso vir de mim...
Divagando mais ainda sobre meus problemas no site da minha filha (gosto de divagar), percebo que falar de fundo do poço é focar um só ponto, quando na vida temos diversas áreas diferentes. Posso estar no fundo do poço num lado financeiro, mas há áreas como relacionamento, namoro, sexo, produções, etc. Outra divagação, seria a consistência do fundo do poço: pode ser que seja pedra e me permita subir facilmente, pode ser a clássica água, que não serviria como base para o impulso (e afogar alguns), ou ainda uma lama que me prenda ao fundo até que a seque para poder subir, não descarto que haja também uma areia movediça que mate o sujeito de vez...
Acho que sinto uma liberdade mais irresponsável nesse site, pois não tenho de ter uma consistência científica que procuro manter no site da Somaiê, e lá ainda peço revisão de texto a meus amigos. Aqui não, é um site, que apesar de público e teoricamente, todos podem acessar, mas na prática, poucos o acessam. Talvez com frequencia, a Cleiri, minha irmã e alguns amigos que busquem fotos da CECÍ. Eventualmente outras pessoas, como a Mana Ramos, que chegou a mandar um presente de aníver pra CECÍ. Assim imagino que desabafos como esse, quase ninguém leia, e me sinto escrevendo pra mim mesmo, ou melhor ainda, imaginando minha CECÍ lendo isso daqui a muitos anos (se ela tiver saco pra isso...). E se algum desavisado ultrapassar e ler minhas coisas pessoais: que se foda, pois mereceu isso...
Talvez uma hora, eu reveja essa posição e tire do ar, censurando o que escrevi. Mas, talvez, uma das vantagens de se sentir no fundo do poço, é que não se tem o que perder. Assim, estou me lixando de escrever minha intimidade, e de ter transparência no que escrevo. Talvez nem eu releia isso no futuro...
Assim, falando um pouco sobre fundo do poço, o MEU fundo de poço. Começo a sentir nesse feriado de páscoa, uma nova sensação sobre meu comportamento em relação a vida. Minha baixa está em várias áreas: começa com a grana, que já estou com problema há alguns anos; minha relação com a Cleiri já estava um vai e vem antes da concepção da CECÍ e depois que ela nasceu, acabou de vez; ano passado a crise chega aos grupos de terapia, pela primeira vez em 10 anos, fico sem nenhum grupo; termino o ano com o despejo e fechamento do projeto de 10 anos de Tesão; acho que nunca fiquei tanto tempo sem sexo, faz alguns meses...; as outras produções paralelas a Somaiê se mantinham, mas esse ano emperraram de vez, estou há meses tentando fechar o CD de capoeira e o CD do Walter Firmo, mas também está encrencado.
Um ponto que me ajuda muito é ficar com a CECÍ, pois se por um lado ADORO ficar com ela, e talvez me ajude a sublimar e aceitar tantas dificuldades (coisa perigosa também se ficasse só nisso), mas também pra me mostrar meus defeitos de uma forma aberrante. As vezes me pego fazendo coisas, que até são normais e aceitáveis (muitas vezes recomendáveis, na vida "normal") mas que me incomodam tremendamente e me fazem, mais que qualquer outra coisa na minha vida, sentir UMA URGÊNCIA DE MUDANÇAS. Essas coisas são, um grito ou tom de voz brabo que faço algumas vezes (e vejo a Cleiri também fazer), algumas vezes cheguei a bater de leve nela pra mostrar coisas que não pode ou não deve fazer mesmo... Passa alguns instantes e vejo que são atitudes que DETESTO, mas estão em mim. Chego a pedir perdão e prometer não mais fazer, o que não acontece. Talvez essas atitudes configurem meu fundo do poço na relação com a CECÍ...; talvez essa inconstância de atualização nesse site reflita essa situação.
Na volta da Cleiri do feriadão, vejo ela com marcas, e me percebo com ciúmes. Como posso sentir ciúmes de algo que não me pertence? Quero que ela seja feliz, assim como quero também namorar. Mas esse ciúme, que mistura amor não vivenciado com posse, é mais um reflexo desse jogo da vida que permite me atolar em embaços e ESPERAS.
Acho que fiquei muito esperando: esperando que a mola me jogasse pra fora do poço, esperando que algum amor batesse a minha porta, esperando que no ano novo, novos grupos se formassem sozinhos, esperando que outros com quem produzo me instiguem mais do que eu faço. Sei que pareço o que critico, como aqueles que se resignam para esperar uma vida eterna melhor, ou aqueles que votam esperando que o próximo governo seja bom, ou esperando que um dia ganhe na loteria...
Lógico que existem esperas estratégicas, assim como existem várias outras áreas que agora não comento, mas que não me sinto nem dentro do poço, MAS tentando dar uma resultante única sei que ESTOU ESPERANDO MAIS QUE AGINDO. A novela que foi a entrega do Tesão reflete muito bem essa situação (acredita que já entreguei a casa, tenho o recibo das chaves entregue, mas ainda preciso retirar alguns móveis que deixei na frente da casa - uma instituição de caridade ia buscar, mas furou...).
Minha relação com o Freire/Brancaleone/Soma tem uma força grande em minha área profissional. Nessa área também esperava, esperava alguma reação limpa ou direta (não as fofocas que produziram). Passado um ano da guerra declarada por mim (parece a do Iraque...), percebo que lutei com mortos, cheguei a declarar isso, mas não enterrei esses mortos.
Não tenho idéia de como será de agora em diante, mas me sinto diferente. Estou me esforçando ao máximo com a CECÍ e isso tem me incentivado a rever todas as outras áreas. Ficar com a CECÍ sempre foi maravilhoso, mas eu mantinha uma cobrança de ter um tempo sem ela, e jogava uma culpa na Cleiri. Quando mudei de atitude, percebo que quero ficar mais ainda com a CECÍ, e vejo que ela não me toma meu tempo, muito pelo contrário.
Essa semana farei uma atualização/REVISÃO do site da Somaiê. Lanço um novo manifesto e procuro agora uma nova forma de VIVER a Somaiê. Volto a CAPOEIRA de forma constante. Enfim, independente do que vai rolar, me sinto bem. Mais limpo, mais leve, enfim mais gostoso...
2592 visitas em 14 de Abril de 2004
562º dia - 15/04/2004 - quinta-feira
hoje CECÍ quis tomar banho na hora do almoço, depois mamãe chego e pediu mais banho
finalmente, depois de meses, papai sai pra balada (B.L.) e mamãe fica em casa com a CECÍ...
563 a 566º dia - 16 a 19/04/2004 - sexta-feira a segunda-feira
mamãe vai a Trindade, CECÍ fica com papai....
571º dia - 24/04/2004 - sábado
papai marcou Vivência no Parque Água Branca, apareceu somente o Kauê (que depois sumiu...)
Mirko apareceu e tb a Dulce, encontramos TATI e Mª Clara, CECÍ pega carona no Pônei e se diverte com a Feira de Animais exóticos...
aqui algumas fotos do Mirko e sua digital:
a noite CECÍ viaja com papai pra BH
572º dia - 25/04/2004 - domingo
encontro de Somaiê no espaço da capoeira, aparecem 6 pessoas (3 novas e 3 antigas), Paloma ajuda com CECÍ. Dormir na casa da Karina
573º dia - 26/04/2004 - segunda
roda do IÊ
574º dia - 27/04/2004 - terça
ir ESCAMBO na Casa África
575º a 576º dia - 28 a 29/04/2004 - quarta a quinta
ir pra NOVA LIMA (?? e na quinta voltar a BH, roda do IÊ ??)
577º dia - 30/04/2004 - sexta-feira
ir Roda do Iúna, levar CD quase final pro Primo